Livro Folclore Esquecido explora as histórias e aparências de lendas poucos conhecidas através de ilustrações

Através de pesquisa e estudo de relatos históricos, livro ilustrado traz contos, ilustrações e informações de lendas não populares do folclore.

Como você explica para alguém as suas referências culturais? Ou melhor, como explicaria para alguém que não é daqui que grande parte do que consumimos no Brasil é importado?

Por exemplo, muitas crianças usam como referências para suas brincadeiras dragões, elfos, princesas, bruxas. São referências incríveis e ricas, não há como negar. Mas o que acontece para essas histórias parecerem melhores do que as nossas? Elas são mais ricas? Mais bem construídas?

Posso dizer que as lendas ao redor do mundo possuem muitas semelhanças, há quem diga até que muitas foram originadas da mesma fonte. O próprio Brasil possui lendas que foram importadas e sofreram alterações com a cultura da sociedade que vivia aqui há centenas de anos atrás.

Como por exemplo as Amazonas. Originadas da Grécia antiga, as Amazonas eram mulheres que guerreavam em cima de cavalos. Reza a lenda que quando os europeus chegaram no Brasil avistaram belas mulheres, altas e alvas com tranças no topos dos cabelos, desnudas e armadas de arcos e flechas. Cada uma dessas mulheres possuía a força de dez índios e após uma luta brutal elas os fizeram fugir. E então Rio aos arredores dessa batalha ganhou o nome de Amazonas por conta da semelhança entre mulheres com as combatentes gregas.

Quando descobri isso fiquei boquiaberta. Que mulheres! Além disso elas ainda viviam sozinhas e capturavam índios para se reproduzirem.

Essa é uma das lendas que se originou de uma outra vinda de fora e se enriqueceu aqui virando outra coisa, mas temos coisas aqui que são muito originais e fascinantes. Você gosta do monstro do Lago Ness? E se eu te falar que tivemos mergulhando por nossos rios uma cobra de gigante que brilhava tanto que em algumas de suas aparições contaram que ela era formada por sessenta e quatro estrelas que entortaram os rios? Monstro do Lago Ness tava lá de boa e nossa cobra gigante e brilhante, a Boiúna, estava aqui entortando rios.

Agora sabendo disso porque continuamos a gostar mais das lendas de fora? Falta de conhecimento, você me diria. Ainda pequenos os professores nos incentivaram a conhecer o folclore brasileiro nas escolas, principalmente quando se aproximava de 22 de Agosto, considerado o dia do Folclore. Lembro de ser pequena e ter que fazer uma Iara com a cauda de lantejoulas azuis e cor de rosa e também lembro de me maravilhar com aquilo. Já na adolescência me apresentaram o fantástico mundo de Tolkien com elfos e orcs e de repente apenas esqueci da riqueza que já tínhamos aqui.

É claro que existe todo um problema estrutural relacionado à como o entretenimento chega até a gente. Somos muito mais incentivados por inúmeros motivos a consumir mais material vindo de fora e não há mal nenhum em gostar disso. O problema é ignorar o que nós mesmo estamos produzindo. Quantos filmes nacionais você viu esse ano?

Existem muitas iniciativas que tentam fomentar a cultura nacional e eu sempre fico muito feliz em ver algo assim e apoiar como for possível. O que trazemos aqui hoje é mais uma dessas iniciativas. O livro Folclore Esquecido contém não só as ilustrações de 15 lendas pouco conhecidas, como contos sobre essas lendas para que você possa encher sua cabeça de referências e também identificar nelas muitas coisas que te formaram e você não fazia ideia.

02 - Livro interno

O livro será dividido em duas partes, a primeira mostrando 15 lendas pouco e suas respectivas ilustrações e a segunda mostrando o concept art dessas criaturas, ou seja, como através de registros históricos chegamos na aparência dessas criaturas.

03 - concept

Os autores são Edmar Osti, Jef Santos, João Phillipe, Louiz Santana, Luisa Teruya e Lorar Laurenti.

Folclore Esquecido tem 108 páginas coloridas, formato 21 x 18 cm, capa em papel couchê 250g com orelha de 8cm e preço de capa de R$39,90. Esse livro está em financiamento coletivo no Catarse e mais informações podem ser encontradas na campanha do projeto ou no blog do Cyano Estúdio.

(www.cyanoestudio.com.br)

Por Lorar Laurenti

 

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